Produções Artísticas | Remontagens
Foto: João Caldas
Les Noces (1923)
Coreógrafa: Bronislava Nijinska (1891-1972)
Figurinos e cenários: Natalia Gontcharova (1881-1962)
Remontagem: Maria Palmeirim
Ensaiadora convidada: Suzana Mafra
Duração: 23 minutos com 36 bailarinos
Estreia mundial: 1923, Balés Russos, Paris
Estreia pela SPCD: 2008, São Paulo
Apesar do mote aparentemente trivial – um casamento tradicional de camponeses russos apresentado em quatro movimentos –
Les Noces se constitui num marco de inovação artística, por sua peculiar geometria de movimentos e sua austeridade cênica, aliadas à originalidade da composição de Stravinsky. Ao lado de sua relevância cultural, como primeiro balé cujo enfoque se dá através do olhar feminino,
Les Noces incorpora à dança o movimento de ruptura inovadora do modernismo ao utilizar rituais nupciais da Rússia antiga para explorar as possibilidades do corpo de baile e trazer novos acentos à linguagem clássica. Nijinska desenha com os corpos linhas e formas abstratas, no espírito do construtivismo. A abstração sóbria de sua coreografia se funde à profunda e
solene abstração da música de Stravinsky.
Foto: João Caldas
Gnawa (2005)
Coreógrafo: Nacho Duato
Música: Hassan Hakmoun, Adam Rudolph, Juan Alberto Arteche, Javier Paxariño, Rabih Abou-Khalil, Velez, Kusur e Sarkissian
Figurinos: Luis Devota e Modesto Lomba
Iluminação: Nicolás Fischtel
Remontagem: Hilde Koch e Tony Fabre
Organização e produção original: Carlos Iturrioz Mediart Producciones SL (Spain)
Duração: 21 minutos com 14 bailarinos
Estreia mundial: 2005, Hubbard Street Dance Chicago, Chicago
Estreia pela SPCD: 2009, São Paulo
Gnawa é uma peça que utiliza os quatro elementos fundamentais: água, terra, fogo e ar para tratar da relação do ser humano com o universo. Está presente na obra o reiterado interesse de Nacho Duato pela gravidade e pelo uso do solo na constituição de sua dança. Esse interesse se renova no tom ritualístico que envolve o transe musical que conduz a (e é conduzido pela) movimentação dos corpos na cena. Duato se inspirou na natureza valenciana, cercada de mar e sol, e em aromas, cores e sabores mediterrâneos para criar a coreografia. Os gnawas constituem uma confraria mística adepta do islamismo, descendentes de ex-escravos e comerciantes do sul e do centro da África, que se instalaram ao longo dos séculos no norte daquele continente.
Foto: João Caldas
Serenade (1935)
Coreografia: George Balanchine (1904-1983)
Música: Serenade for Strings in C, Op. 48 (1880) de Piotr Ilyitch Tchaikovsky (1840-1893)
Remontagem: Ben Huys
Figurinos: Barbara Karinska
Iluminação original: Roland Bates
Duração: 30 minutos com 26 bailarinos.
Estreia mundial: 1935, The American Ballet, Nova Iorque
Estreia pela SPCD: 2008, São Paulo
Serenade foi criada por George Balanchine para a estreia de sua School of American Ballet. O trabalho partiu de exercícios que procuravam demonstrar a seus alunos quais as diferenças fundamentais entre o bailado em sala de aula e a dança apresentada no palco. À peça, o coreógrafo incorporou formações incomuns, como um grupo de dezessete ou cinco bailarinas, e incidentes, como atraso de uma delas, o gesto que outra fizera para se proteger do sol, e a queda de uma terceira, para renovar a tradição da dança clássica.
A apresentação de Serenade, um Ballet Balanchine®, é feita mediante acordo com a The George Balanchine Trust e foi produzida de acordo com os padrões do Balanchine Style® e Balanchine Technique®, estabelecidos e fornecidos pela Trust.
Foto: Reginaldo Azevedo
Tchaikovsky Pas de Deux (1960)
Coreografia: George Balanchine (1904-1983)
Música: Piotr Ilyitch Tchaikovsky (1840-1893)
Figurinos: Barbara Karinska
Remontagem: Ben Huys
Duração: 8 minutos com 2 bailarinos
Estreia mundial: 1960, New York City Ballet, Nova Iorque
Estreia pela SPCD: 2009, Ourinhos
A coreografia de George Balanchine é uma obra de oito minutos que mescla técnicas clássicas e neoclássicas, num tributo ao balé romântico. A bailarina dança brincando com o eixo vertical, com especial domínio do equilíbrio e do desequilíbrio. Para os homens, o desafio está na combinação de difíceis rotações, na velocidade dos movimentos e nos grandes saltos.
A apresentação de Tchaikovsky Pas de Deux, um Ballet Balanchine®, é feita mediante acordo com a The George Balanchine Trust e foi produzida de acordo com os padrões do Balanchine Style® e Balanchine Technique®, estabelecidos e fornecidos pela Trust.
Foto: João Caldas
Theme and Variations (1947)
Coreografia: George Balanchine (1904-1983)
Remontador: Ben Huys
Música: Movimento final da Suíte nº3 para Orquestra em G Maior, Op. 55, de Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840-1983)
Duração: 25 minutos com 26 bailarinos
Estreia mundial: 1947, American Ballet Theather, Nova Iorque
Estreia pela SPCD: 2010, Curitiba
Balanchine evoca o período de florescimento da dança clássica com
Theme and Variations. O movimento final da Suíte nº3 consiste em 12 variações. No início, 12 bailarinas e um casal principal apresentam os temas que serão retomados ao longo da coreografia. A obra exige muito dos intérpretes, pois como todas as obras de Balanchine, o vigor técnico, a leveza, a força, habilidade nos desequilíbrios e virtuosismo são necessários. No desenrolar da obra, o casal intercala sua participação com o corpo de baile e o trabalho termina com uma grande polonaise para 26 bailarinos.
A apresentação de Theme and Variations, um Ballet Balanchine® é feita mediante acordo com a The George Balanchine Trust e foi produzida de acordo com os padrões do Balanchine Style® e Balanchine Technique®, estabelecidos e fornecidos pela Trust.
Foto: João Caldas
Prélude à l'après-midi d´un Faune (1994)
Coreógrafa: Marie Chouinard
Música: Prèlude à L´après-midi d´un Faune, de Claude Debussy
Figurinos: Marie Chouinard e Vandal e Luc Courchesne
Luz: Alain Lortie |
Maquiagem: Jacques-Lee Pelletier
Equipe Adicional | São Paulo
Direção artística: Isabella Poirier |
Direção de ensaio: Carol Prieur
Consultor de iluminação: François Marceau |
Remodelagem de figurino: Vandal
Ensaiador: Allan Falieri
Duração: 8 minutos | Solo
Estreia mundial: 1994, Taipei International Festival, Taiwan
Estreia pela SPCD: 2010, São Paulo
Quando Stéphane Mallarmé (1842-1898) escreveu A Tarde de um Fauno, em 1876, ele queria escrever poesia para o teatro. Este poema foi o que inspirou Claude Debussy a compor
Prèlude à L´après-midi d´un Faune, em 1894. Baseada no poema e com a música de Debussy, Vaslav Nijinsky (1889-1950) compôs sua primeira coreografia homônima, em 1912, em Paris. O trabalho era permeado pelo tom ritualístico e sensual e foi inspirado nos movimentos dos frisos gregos. A obra foi um escândalo para a época e chocou o público parisiense. Na primeira versão L'Après-midi d'un Faune, de Marie Chouinard em 1987, ela partiu da observação das fotos de Adolphe de Meyer, da coreografia de Nijinsky. Em 1994, a coreógrafa incorporou a música de Debussy na obra. Na coreografia Marie se valeu da horizontalidade, da bidimensionalidade, da posição das mãos retas e dos pés em rotação interna. As sete ninfas da coreografia de Nijinsky aqui se tornam luz, que aparecem e desaparecem na cena. A SPCD é a primeira Companhia no Brasil a dançar uma obra de Marie Chouinard.
Foto: João Caldas
Sechs Tänze (1986)
Concepção, coreografia, cenografia e figurinos: Jirí Kylián
Música: Sechs Deustsche Tänze KV 571, de Wolfgang Amadeus Mozart
Remontador: Patrick Delcroix
Desenho de luz: Joop Caboort
Adaptação técnica: Erick van Houten
Execução de figurinos e cenário para a SPCD: Fábio Brando | FCR Produções Artísticas
Duração: 13 minutos com 13 bailarinos
Estreia mundial: 1986, Nederlands Dans Theatre, Amsterdã
Estreia pela SPCD: 2010, São Paulo
Sechs Tänze, de Jirí Kylián é um trabalho que une dança e humor. O coreógrafo compôs seis peças aparentemente sem sentido que dialogam para protestar e fazer uma crítica aos valores vigentes à época em que as
Sechs Deustsche Tänze KV 571, de Mozart, foram compostas. Nas palavras de Kylián: "A música de Mozart foi o principal elemento para a criação de
Sechs Tänze. Ele deveria ser engraçado, porque entendia e sabia fazer humor. A música é muito importante em um balé, qualquer que seja ele. E nessa montagem ela é mais rápida do que a dança. Para dançar
Sechs Tänze é preciso ser veloz e colocar uma máscara. É como ser e não ser você em determinados momentos. É como ser manipulado hoje, amanhã, ontem. Fingir querer ser. Ou não." A SPCD é a primeira companhia no Brasil a dançar uma obra de Kylián.
Foto: Silvia Machado
Legend (1972)
Coreógrafo: John Cranko
Música: Legend, op. 17 (1859), de Henryk Wieniawski
Remontagem: Richard Cragun
Execução de figurinos para a São Paulo Companhia de Dança: Arte & Cia.
Duração: 10 minutos com 2 bailarinos
Estreia mundial: 1972, Stuttgart Ballet, Stuttgart
Estreia pela SPCD: 2011, São Paulo
Legend é um
pas de deux neoclássico imortalizado por seus intérpretes, Márcia Haydée e Richard Cragun, que aborda o lirismo do amor entre um homem e uma mulher pela suavidade dos passos, pela confiança e entrega nos movimentos e pelo desafio da fusão dos corpos em tênues equilíbrios. A coreografia de John Cranko (1927-1973) teve como inspiração a túnica da lendária bailarina Galina Ulanova (1910-1998) recebida por Richard Cragum e dada a Márcia Haydée. Ulanova iniciou sua carreira profissional no Kirov Ballet, em 1928, e de 1944 a 1962 e foi primeira bailarina no Ballet Bolshoi. Sua dança se tornou emblemática pela plástica dos movimentos, primorismo técnico, versatilidade e expressividade. A túnica utilizada por Ulanova foi o figurino usado por Márcia na estreia de
Legend, em 29 de junho de 1972. A música
Legend, op. 17, utilizada por Cranko na coreografia foi composta, em 1859, pelo violonista polonês Henryk Wieniawski (1835-1880), como uma confissão de amor a sua futura esposa Isabel Hampton. O filme
The Turning Point (
Momento de Decisão| 1977), dirigido por Herbert Ross, traz um trecho dessa coreografia. A remontagem de
Legend para a São Paulo Companhia de Dança é assinada por Richard Cragun e esta é a primeira vez que a peça é apresentada por uma companhia no Brasil.
Foto: Wilian Aguiar
Supernova (2009)
Coreografia e figurinos: Marco Goecke
Músicas: Pierre Louis Garcia-Leccia, álbum
Ohimé, faixa Aka, Antony & The Johnsons, álbum
Another Word, faixa
Shake That Devil
Remontagem: Giovanni di Palma
Iluminação original: Udo Haberland
Dramaturgia: Nadja Kadel
Duração: 21 minutos com 7 bailarinos
Estreia mundial: 2009, Scapino Ballet Rottersam, Roterdã
Estreia pela SPCD: 2011, São Paulo
Inspirado pela música de Antony & The Johnsons e pelo fenômeno astronômico das supernovas – estrelas que explodem e brilham no espaço por algum tempo – Marco Goecke criou esta obra em 2009 para a Scapino Ballet Rotterdam.
Supernova é uma coreografia de contrastes, na qual morte e vida, escuro e claro, estão ligadas pela energia de cada corpo. Os bailarinos aparecem e desaparecem do palco misteriosamente e a movimentação é marcada por sequências muito rápidas, precisas e controladas que fazem os corpos vibrarem. Para Goecke, cada movimento pode acontecer somente uma vez. "Você pode fazê-lo cada vez mais rápido, então dificilmente ele vai existir no final". A São Paulo Companhia de Dança é a primeira companhia no Brasil a dançar uma obra de Goecke.
Foto: Wilian Aguiar
Ballet 101 (2006)
Coreografia: Eric Gauthier
Narrador: William Moragas
Remontagem: Renato Arismendi
Duração: 8 minutos com 1 bailarino
Estreia mundial: 2006, Noverre Gesellschaft Stuttgart, Stuttgart
Estreia pela SPCD: 2012, Piracicaba
Ballet 101, de Eric Gauthier, é um solo de oito minutos que brinca com a dança clássica. Com base nas cinco posições do balé, o coreógrafo narra outras 96 possíveis variantes, fazendo referência a coreógrafos – William Forsythe, George Balanchine, Glen Tetley, Marius Petipa, John Cranko e o próprio Eric Gauthier – e a balés consagrados – como
Romeu e Julieta e Onegin. "É um balé vibrante, que tem uma explosão no final", comenta Renato Arismendi, remontador da obra. Essa é a primeira versão do texto traduzida para o português.
Foto: Mário Veloso
GRAND PAS DE DEUX DE DOM QUIXOTE (1869)
Coreografia: Marius Petipa (1818-1910)
Música: Leon Minkus (1826-1917)
Remontagem: Manoel Francisco
Duração: 10 minutos com 2 bailarinos
Estreia mundial: 1869
Estreia pela SPCD: 2012, Goiânia
O
Grand Pas de Deux de Dom Quixote é o momento do casamento de Kitri e Basílio, personagens principais dessa obra. Dançado pelo mundo todo, esse duo representa um grande desafio para os intérpretes não só pela qualidade técnica, mas também pela interpretação. Coreografado por Marius Petipa, o balé
Dom Quixote é baseado num capítulo da famosa obra de Miguel de Cervantes, que narra as aventuras do barbeiro Basílio e seu amor por Kitri, a filha do taberneiro. O cavaleiro Quixote se apaixona por Kitri, confundindo-a com Dulcinéia, seu amor. Após aventurar-se pelo mundo em batalhas imaginárias contra ventos e moinhos, no último ato o protagonista celebra ao lado de seu fiel escudeiro Sancho Pança o casamento entre os dois apaixonados.
Foto: Silvia Machado
IN THE MIDDLE, SOMEWHAT ELEVATED (1987)
Coreografia, cenografia, figurino e iluminação: William Forsythe
Música: Thom Willems
Remontagem: Agnès Noltenius
Duração: 25 minutos com 9 bailarinos
Estreia mundial: 1987
Estreia pela SPCD: 2012, São Paulo
Encomendada por Rudolf Nureyev em 1987 para o Ballet Ópera de Paris, In
the Midlle, Somewhat Elevated (No Meio, Um Pouco Acima) é uma peça de William Forsythe baseada na percepção da velocidade – rapidez e lentidão. O coreógrafo se vale da linguagem da dança clássica para “escrever histórias de hoje”.
In The Middle utiliza a forma tradicional de composição de um tema e suas variações, ou seja, Forsythe cria uma frase que se desenvolve, evolui e se transforma no corpo de cada bailarino. Uma bailarina dança o tema de abertura e aciona progressivamente um número crescente de outros intérpretes até que o conjunto se complete com nove pessoas: seis mulheres e três homens. A música de Thom Willems apresenta acelerações e ralentamentos que dialogam com a coreografia; tanto os bailarinos quanto os espectadores são pegos de surpresa por turbulências que a peça apresenta em diferentes momentos. Para o cenário, o coreógrafo havia pensado em vários objetos cotidianos dourados, pendurados por fios invisíveis. Dessa ideia inicial, optou pela síntese, traduzida por duas cerejas, que ganharam um significado simbólico: dois pequenos espelhos que refletem a sala de espetáculos. O título da obra se refere a essas duas cerejas no meio, um pouco elevadas, na cena. A São Paulo Companhia de Dança é a primeira companhia na América Latina a ter uma obra de Forsythe em seu repertório.
Foto: Silvia Machado
GRAND PAS DE DEUX DE O QUEBRA-NOZES (1892)
Coreografia: Marius Petipa (1818-1910) e Lev Ivanov (1834-1901)
Música: Piotr Ilitch Tchaikovsky
Remontagem: Tatiana Leskova
Figurinos: Marilda Fontes
Duração: 10 minutos com 2 bailarinos
Estreia mundial: 1892
Estreia pela SPCD: 2012, Indaiatuba
O
Grand Pas de Deux de
O Quebra-Nozes é o ponto alto deste balé inspirado no conto
O Quebra-Nozes e o Rei dos Ratos (1816), de E.T.A. Hoffmann. Nele a Fada Açucarada dança com o Quebra- Nozes para homenagear a menina Clara, que veio visitar o Reino dos Doces. O balé conta a história de Clara, que ganha de presente de Natal do seu padrinho um boneco Quebra-Nozes. Ao final da festa ela adormece junto ao boneco e sonha estar em mundos encantados, participar de batalhas e aventuras. Depois de salvar seu príncipe na luta contra o Rei dos Ratos, ele a leva para conhecer o Reino das Neves e em seguida o Reino dos Doces.