Maria Duschenes

  • Categoria: Profissionais da dança
  • País: Hungria
  • Cidade: Budapeste
  • Atividade: Coreógrafa
  • Atividade: Educadora
  • Data de nascimento: 26/08/1922

Conteúdo

Maria Ranschburg, conhecida como Maria Duschenes, nasceu em Budapeste, na Hungria, em 26 de agosto de 1922. Pioneira da dança moderna no Brasil, destacou-se como educadora e coreógrafa, sendo uma das principais responsáveis pela difusão do método Laban no País.
Maria frequentou dos 11 aos 15 anos uma escola que trabalhava com a metodologia do músico suíço Emile Jacques Dalcroze (1865-1950), sob direção de Olga Szent Pál. Nesta época, também aprendeu dança clássica com Aurélio Miloss durante um ano.

Aos 15 anos foi estudar dança na Dartington Hall School, escola de Arte situada em Devon (Devonshire), no sul da Inglaterra, onde permaneceu de 1937 a 1939. Lá foi aluna de Rudolf Laban (1879-1958), inventor do conceito de dança coral, de Kurt Jooss (1901-1979) e de Sigurd Leeder (1902-1981).

Devido ao início da 2ª Guerra Mundial e aos bombardeios na região onde estudava, em 1940 transferiu-se definitivamente para o Brasil, país para onde seus pais haviam recentemente se mudado.

Em 1942 casou-se com o arquiteto alemão Herbert Duschenes (1914-2003), com quem teve um filho e uma filha, e adotou o nome Maria Duschenes.

Aos 22 anos Maria teve poliomielite, as limitações a seus movimentos a levaram a concentrar suas atividades na coreografia e no ensino de dança. Foi uma das introdutoras da dança educativa moderna no País, divulgando os princípios de Dalcroze e Laban.

Dedicou-se especialmente à difusão dos ensinamentos de Rudolf Laban no Brasil, oferecendo formação prática e teórica na Teoria de Movimento de Laban a educadores, psicólogos, dançarinos, coreógrafos e atores.

Retornou diversas vezes à Europa para aperfeiçoar seus conhecimentos sobre essa importante técnica de movimento para a dança no Laban Center.

Grande parte de seu trabalho foi realizado no andar inferior da residência construída por seu marido na década de 1950 no bairro do Sumaré, em São Paulo. Este andar contava com uma sala especialmente projetada para seu trabalho, que podia ser aberta para uma ampla varanda que se comunicava ao jardim, tornando-se também espaços para dança utilizados em seu trabalho com grupos de improvisação. Neste lugar pôde continuar a dançar ao ensinar.

Seu marido, Herbert Duschenes, além de arquiteto, foi também professor de história da arte. O documentário Mar e Moto, de Maria Mommensohn, registra a contribuição do casal à vida cultural de São Paulo reunindo depoimentos de amigos, de alunos, e imagens filmadas em suas viagens pelo mundo (que costumavam expor e discutir com os alunos).

O documentário também apresenta trechos de filmagens realizadas por Herbert registrando o trabalho do grupo de improvisação orientado por Maria Duschenes, fundamentada no Sistema Laban. O grupo que criou no início da década de 1970, permaneceu ativo por mais de 25 anos, reunindo-se regularmente para dançar no espaço de aulas em sua residência.

Em 1978 Maria Duschenes iniciou informalmente um projeto de dança nas Bibliotecas Infanto-Juvenis de São Paulo. Através deste trabalho, em 1979, 80 crianças freqüentadoras das bibliotecas participaram de uma dança coral em comemoração do Centenário de Rudolf Laban. Esta dança coral foi filmada e enviada para o Centro Laban de Londres, onde recebeu uma menção honrosa como uma das melhores realizações comemorativas da data.

Entre 1984 e 1994 o Projeto Dança/Arte do Movimento em Bibliotecas Infanto Juvenis assumiu um caráter oficial junto à Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Sob a coordenação de Maria Duschenes, foram contratados professores que divulgaram a dança coral de Laban como uma proposta democrática para tornar a dança acessível a todos.

A partir de 1999 Maria Duschenes teve de progressivamente interromper seu trabalho devido ao aprofundamento de um quadro de saúde identificado como mal de Alzheimer, retratado no documentário Maria Duschenes, o Espaço do Movimento, de Inês Bogéa e Sergio Roizenblit.

Sua contribuição à criação e à reflexão sobre a dança no Brasil pode ser avaliada pela trabalho de seus alunos, que a chamam afetivamente de Dona Maria": Acácio Ribeiro Vallim Júnior, Analívia Cordeiro, Anna Veronica Mautner, Claudia Hamburger, Cleide Martins, Cristina Brandini, Cybele Cavalcante, Denilto Gomes (1953-1994), Isa Seppo, J. C. Violla, Janice Vieira, Jessica Portela, Joana Lopes, Joya Eliezer, Juliana Carneiro da Cunha, Lala Deheinzelin, Lenira Rengel, Lia Robatto, Maria Esther Stockler, Maria Cecília (Cilô) Pereira Lacava, Maria Mommensohn, Marta Teresa Labriola, Miriam Leirias, Mônica Serra, Norberto Abreu, Patrícia Noronha, Regina Faria, Renata Neves, Ruth Mehler, Sandra Rodrigues, Solange Camargo, Sônia Kliass, Daraína (Tuca) Pregnolatto e Yolanda Amadei, entre outros.
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Links

(Pesquisa SPCD)
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Bibliografia

Mar e Moto | Documentário | Maria Mommensohn e Sérgio Roizenblit | São Paulo, 2002

Maria Duschenes – O Espaço do Movimento | Documentário | Direção de Inês Bogéa e Sérgio Roizenblit | 2006




Trabalhos

O Sacro e o Profano: Muitas são as Faces do Homem (1965)
Mixed Media (1971)
Espetáculo Cinético (1973)
Máscaras (1975)
Aula-Espetáculo Dança Coral (1978)
Magitex (1978)
Dança Coral em comemoração do Centenário de Rudolf Laban (1979)
Dança Coral O Navio da Noite (1989)
Dança Coral Origens I (1990)
Dança Coral Origens II (1991)
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