Dança em Rede

Cibele Sastre

  • Categoria: Profissionais da dança
  • País de origem: Brasil
  • UF de origem: RS
  • Cidade de origem: Porto Alegre
  • Atividade: Porto Alegre
  • Data de nascimento: 18/02/1965

Histórico

Cibele Sastre dedica-se à dança desde os nove anos de idade, quando ingressou na escola de ballet de Lenita Ruschel Pereira, que adotou o método do Royal Ballet, com exames bianuais conduzidos por examinadores ingleses. Ingressou no Grupo Imbahá, onde iniciou sua carreira como bailarina, em 1982, participando do I ENDA - Encontro Nacional de Dança em São Paulo. No mesmo ano, iniciou a graduação em Artes Cênicas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde entrou em contato com práticas então chamadas de consciência corporal, que contribuíram incrivelmente para a abordagem de dança escolhida como trajetória: a dança contemporânea teatral.

Em 1983, conheceu Maria Amélia Barbosa, com quem seguiu estudos de dança, e iniciou atividades como professora de balé e alongamento. Participou de trabalhos teatrais voltados ao público infantil e adulto, entre 1984 e 1994, com vários diretores e de intervenções teatrais, dirigidas por Denize Barella em espaços alternativos da cidade.

Em 1989, graduada em artes cênicas, ingressa na recém formada Cia de Ballet Mudança, com direção artística de Maria Amélia Barbosa, Diônio Kotz no espetáculo Da Razão à Volúpia.

Em 1991 ingressou no Centro de Formatividade em Dança como aluna, um centro de formação estadual que agregou expoentes da dança local, como Tony Petzhold, Victoria Milanes, Walter Arias, Eneida Dreher, Cecy Frank, Maria Angélica Villagrán, Lúcia Lopes, Míriam Amaral, Fernando Mattos. Também entre os alunos estavam bailarinos atuantes na cena gaúcha. A coordenação do Centro era de Andréa Druck, Lúcia Brunelli e Lúcia Lopes.

Em 1992, Cibele integra a Ânima Cia de Dança, dirigida por Eva Schul, com quem trabalhou por mais de 10 anos. Fez parte do grupo de estudos de Eva, e ali desenvolveu trabalhos relevantes em sua carreira, como Caixa de Ilusões, O Fio Partido (solo), Tons, Discreto Charme, além dos duos e trios - Estórias para surdos, Acuados, entre outros.

O Fio Partido foi dançado no Uruguay, em 1998, com destaque da crítica local, bem como Acuados, duo com Eduardo Severino. Permanece colaborando com a Ânima Cia de Dança até meados dos anos 2000 e em 2010 participa do Projeto Dar Carne à Memória, dançando uma remontagem do solo Fio Partido. A participação na Ânima cia de dança foi o que impulsionou a produção coreográfica, bem como a retomada dos estudos direcionada para a área da dança e o desejo de conhecer a produção e a formação internacional.

Em 1995 cria seu primeiro grupo de dança - Tubo de Ensaio. Em 1996 passa quatro meses viajando pela Europa, visitando cias como Rosas, Win Vandekeybus, o festival Impulstanz em Viena, a New School for Dance Development em Amsterdan e espaços de dança e aulas avulsas em Londres. Na Bélgica fez um curso com Julyen Hamilton, que transformou sua visão de dança e de ensino de dança; fez audição para a escola do Rosas, sem idade para ingressar no curso, e assistiu espetáculos de grandes companhias internacionais, Vandekeybus, Alain Platel, Maguy Marin.

Retoma os estudos no ano de 1998, em Curitiba, no Paraná, na especialização em Consciência Corporal - Dança e no mesmo ano é contemplada com a Bolsa Virtuose do MinC para estudar no Laban/Bartenieff Institute of Movement Studies - LIMS em Nova Iorque. Passa os anos de 98 e 99 entre o Brasil e os Estados Unidos para suas duas especializações, produzindo as monografias - Dramaturgia da Dança e Dramaturgia do Corpo - orientada por Christine Greiner (PUC-SP) e 1 motif = 5 sequences Improvising a Motif for a Personal Analysis that Seeks Major Answers - orientada por Ellen Goldman (LIMS/NY).

No ano 2000, já no Brasil, integra o corpo docente do primeiro curso superior de dança do RS, o Curso de Licenciatura em Dança da UNICRUZ, permanecendo até 2003. Em 2002 assumiu o Centro de Dança da Coordenação de Artes Cênicas da SMC de Porto Alegre por seis meses e ingressou como docente do curso de Graduação em Dança da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul através do convênio com a Fundação Municipal de Artes de Montenegro, município vizinho de Porto Alegre. Neste ano, junto com o coletivo artéria, idealizou o evento Conexão Sul - Encontro de artistas contemporâneos de dança da Região Sul - com o objetivo de aproximar as produções contemporâneas de dança da Região Sul, de forma descentralizada, produzido e executado por artistas. O evento teve sua primeira edição em Porto Alegre e, com formato itinerante, foi realizado também em Curitiba e Florianópolis totalizando cinco edições entre 2002 e 2007.

Em 2003, recebe o Troféu Açorianos de Melhor Bailarina pelo solo Experimento da Cadeira, com a colaboração de Bia Diamante na direção. Experimento da Cadeira circulou o Brasil e participou do evento internacional no Rio de Janeiro, Encontro Laban 2002, ainda em processo. Foi tema disparador de várias produções científicas e tornou-se mote para o experimento executado no mestrado em Artes Cênicas. Essa coreografia foi vista por Ciane Fernandes, que fez uma análise comparativa no artigo Transgressões em Harmonia. Algumas contribuições brasileiras à dança-teatro de Rudolf Laban.

Em 2003, cria o Grupo de Risco, dança e pesquisa, formado por alunos dos cursos de artes da Uergs/Fundarte com o objetivo de aprofundar estudos em Labanálise e notação por motivos. O Grupo de Risco participou de vários eventos como Fórum Social Mundial 2005, integrou os projetos Usina das Artes, Casa Bild, e foi contemplado com o Fumproarte e com o Prêmio Funarte Klauss Vianna, produzindo dois espetáculos sobre o Projeto Poema: Reconhece? e Outros Quintanas, ambos sobre poemas de Mario Quintana dançados a partir de um processo de criação intertextual entre poesia, movimento e notação de movimento. Além de mobilizar alunos dos cursos de dança, artes visuais e música e impulsionar vários deles para formações fora do estado e do país após suas graduações, o procedimento utilizado para criação rendeu várias comunicações orais em eventos científicos, incluindo participações em eventos internacionais da comunidade Laban: Laban & Performing Arts, na Bratislava em 2006 e Conferência Internacional do ICKL International Coucil for Kinetography Laban, em 2007.

Entre 2000 e 2014 Cibele trabalhou em diferentes instituições de ensino e cursos como docente da prática de dança e de articulações teórico-práticas entre corpo-dança e análise Laban de movimento: Unicruz, Uergs/Fundarte, ambos cursos de Licenciatura em dança; UNISINOS, no Curso de Educação Física com as disciplinas de dança; ULBRA- licenciatura em dança, ULBRA, UNIVATES e PUC-RS, especializações em dança.

Defendeu a dissertação Nada é Sempre a Mesma Coisa em 2009 pelo PPGAC - UFRGS tendo como banca Marina Martins - UFRJ; Mônica Dantas - UFRGS e João Pedro Gil - UFRGS, orientada por Inês Marocco - UFRGS e está em fase de finalização da tese desenvolvida no PPGEDU - UFRGS sob orientação de Gilberto Icle.

Bibliografia

SASTRE, C. Um olhar poético sobre a diferença na dança contemporânea em Perspectivas: Somos todos deficientes?. Revista da Fundarte, v. 13, p. 13P, 2013.

SASTRE, C. Grupo de Risco - Pesquisa, criação e formação na UERGS/FUNDARTE. In: Encontro de Pesquisa em Arte, 2013, Montenegro. Anais 2013 VII Encontro de Pesquisa em Arte. Montenegro: Editora da FUNDARTE, 2013.

SASTRE, C. Articulações entre o sujeito da ação e suas representações político-poéticas: o comprometimento corporal e as representações de si. In: 22o. Seminário Nacional de Arte e Educação, 2010, Montenegro. Anais do 22o Seminário Nacional de Arte e Educação. Montenegro: Editora da Fundarte, 2010. p. 38-44.

SASTRE, C. Entre Nietzsche e Laban acessando o mundo intermediário. Revista da Fundarte, v. 8, p. 20-25, 2009.

SASTRE, C. (Quase a) Mesma Coisa. 1 motif = várias sequências. Cadernos do GIPE-CIT (UFBA), v. 19, p. 85-102, 2008.

SASTRE, C.; VICARI, J. . A Utilização da Motif Writing como processo de criação em dança. Revista da Fundarte, v. 13 14, p. 41-47, 2007.

SASTRE, C. Laban creative Studies with a Brazilian Group. In: Laban & Performing Arts, 2006, Bratislava. Laban & Performing Arts. Bratislava -República Eslovaca: Ministry of Culture of Slovak Republic, 2006. p. 159-165.

Foi citada em artigos como
FERNANDES, C. Transgressões em harmonia. Algumas contribuições brasileiras à dança-teatro de Rudolf Laban. In: Revista LOGOS, 18 – Comunicação e Artes. Comunicação & Universidade.Rio de Janeiro, 1o. semestre 2003. p. 60-81

FERNANDES, C. O corpo em movimento: o sistema Laban/Bertenieff na formação e pesquisa em artes cênicas. São Paulo: Annablume, 2002.

MARQUES, I. Linguagem da Dança: arte e ensino. São Paulo: DIGITEXTO, 2010.
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