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Fernando Bicudo

  • Data de nascimento: 19/08/1946

Histórico

Fernando Bicudo passou sua infância no Rio, Natal e Belém. Esses primeiros anos talvez já fossem um prenúncio do que ele, adulto, viria a realizar, viajando os quatro cantos do país, munido de uma proposta audaciosa - a de que, a partir das raízes culturais brasileiras, é possível fazer arte requintada e destinada a várias plateias.

Esses traços já estavam presentes no jovem que, formado em Ciências Econômicas pela atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) - curso no qual ingressou em 1964, desenvolveu uma carreira brilhante na área de comércio exterior. Em 1970, seguiu para o Canadá, onde cursou Relações Internacionais, tornando-se Adido Comercial da Embaixada do Brasil em Ottawa. Dois anos mais tarde, idealizou e negociou a assinatura de um bilionário acordo de troca de nosso minério de ferro por carvão canadense, passo decisivo na viabilização econômica da abertura das minas da Serra de Carajás pela Cia. Vale do Rio Doce.

Em 1974, foi indicado para participar de uma nova companhia de comércio exterior da Petrobras Internacional, a Braspetro, da qual foi o primeiro Gerente de Marketing. Em seguida, foi nomeado Coordenador de Negócios da Petrobras com o Leste Europeu. Nesse período, aceitando novo desafio, criou e organizou o primeiro escritório de comércio exterior do Banco do Brasil (Cobec) em Toronto, no Canadá, transformado por ele no escritório de maior lucro no exterior. Devido ao sucesso, foi convidado em 1979 a acumular a vice-presidência executiva da Cobec também em Nova York.

Em 1980, decidiu criar sua própria empresa de comércio internacional, em Nova York, a Brazam International Trading Corporation, especializada na venda de calçados brasileiros, que, entre outras iniciativas, foi responsável pela projeção mundial da Grendene. Pela criatividade no uso de novos materiais, Bicudo foi eleito, em 1983, um dos cinco melhores estilistas pelo National Fashion Council de Nova York.

Hoje, Bicudo é presidente e diretor artístico do Centro Cultural Ópera Brasil, uma sociedade civil sem fins lucrativos, sendo reconhecido como um dos produtores mais aclamados da cena brasileira e internacional. A virada ocorreu quando, com os ventos da abertura democrática brasileira, decidiu retornar ao país. A experiência no mundo dos negócios e nos bastidores da Ópera do Canadá como Patrono, acumulada em mais de uma década no exterior, seria muito útil para a nova etapa que se iniciava.

Regressando em 1984 ao Brasil, ele decide se dedicar às suas duas maiores paixões - a ecologia e a arte.

Trabalhos

Quando novamente no Rio de Janeiro, soube do estado de penúria que passava o Theatro Municipal, sugeriu que se criasse uma Associação de Amigos do Theatro Municipal, nos moldes do que vira em outros países.

Foi convidado, então, pelo secretário de Cultura Darcy Ribeiro para ser o novo diretor artístico do Municipal. Desafio aceito, ele reativou a programação com atrações nacionais e internacionais. Logo depois, assumiu o cargo de diretor de ópera, levando o teatro nesse período a sobressair no cenário lírico internacional.

À frente da Ópera do Municipal, de 1984 a 1988, ajudou nas negociações para a primeira visita ao Brasil do Ballet Bolshoi, com todas as suas estrelas máximas.
Estreou como encenador com Orfeu e Eurídice", de Gluck, que se tornou recorde de bilheteria. Em seguida, assinou a maior produção de ópera já realizada no país - "Aída", de Verdi, superprodução que lançou mundialmente a prima donna Aprile Millo, ovacionada por meio milhão de pessoas reunidas na Quinta da Boa Vista, no Rio, em evento promovido pelo Projeto Aquarius.

De lá para cá, Bicudo montou mais de 20 óperas, buscando sempre a aliança entre excelência e inovação. Em "Porgy and Bess", de Gershwin, reuniu o primeiro elenco de ópera no Brasil exclusivamente com cantores negros, brasileiros e norte-americanos. Para a encenação de "Madama Butterfly", de Puccini, contou com a colaboração de Tomie Ohtake, uma das mais prestigiadas artistas plásticas do país.

Fernando Bicudo foi o único brasileiro a dirigir Plácido Domingo em uma ópera. Foi em sua versão da “Carmen”, de Bizet, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A valorização do artista brasileiro e o convite a grandes artistas estrangeiros fizeram com que fosse eleito, em 1987, presidente da “Artes America Foundation”, de Nova York, dedicada ao intercâmbio cultural entre o Brasil e a América do Norte.

Fernando Bicudo foi o primeiro brasileiro a ser aceito como membro do “Opera America”, a mais importante entidade operística do mundo, com sede em Washington.

Como produtor de cinema, trabalhou em "A Grande Arte", adaptação do livro de Rubem Fonseca, que marcou a estréia de Walter Salles Jr. na direção.

Entretanto, muitos artistas, entre os quais o maestro Isaac Karabtchevsky e os músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), insistiam para que Bicudo voltasse aos palcos. Ele fundou, então, a Ópera Brasil, que já em sua primeira temporada, em 1989/90, com apresentações em parceria com a OSB, viajou por várias capitais - Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Manaus.

Convidado a fazer a programação oficial da reabertura do Teatro Amazonas, em Manaus, Bicudo conseguiu que o evento obtivesse grande repercussão em todo o mundo. "Combater a destruição da Amazônia com a criação artística", novamente as duas paixões se uniram - ecologia e arte. O tema o inspirou ainda a dirigir o espetáculo "Amazônia Viva - o Planeta Azul Abraça o Coração Verde", montado com patrocínio da ONU e apresentado no Maracanãzinho, no Rio, que foi a abertura oficial dos eventos da Eco-92.

A partir de 1991, Bicudo mudou-se para São Luís do Maranhão. Lá, ele comandou as obras de restauração, ampliação e informatização que transformaram o Teatro Arthur Azevedo em um dos "melhores do mundo", segundo avaliação do New York Times. Desde a reabertura do teatro, como seu diretor geral, Bicudo manteve uma programação de alta qualidade, incluindo espetáculos em estréia nacional, como "Apareceu a Margarida", com Marilia Pêra, e "Gata em Teto de Zinco Quente", com Vera Fisher.

Em 2003, eleito pelo grupo Amil como o diretor teatral mais identificado com a autêntica cultura brasileira, foi escolhido para criar um espetáculo que refletisse a evolução da arte no Brasil. O resultado foi "Terra Brasilis", superprodução multimídia com 54 atores bailarinos, que estreou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e depois cumpriu temporadas, com enorme sucesso, no Teatro Alfa em São Paulo e no Teatro Nacional de Brasília. Sucesso que se estendeu ao exterior: em 2005, "Terra Brasilis" foi apresentada no Teatro Massimo Bellini de Catânia, na Itália, lotando nove apresentações e com enorme sucesso de público e crítica.

Em 2008, Bicudo foi eleito Presidente da “Associação Brasileira dos Artistas Líricos (ABAL)”, entidade de utilidade pública, fundada em 1932, por Bidu Sayão e Walter Mocchi, o maior empresário das temporadas líricas no Brasil de 1910 a 1950.

Após mais de quinze anos afastado do Rio de Janeiro, percorrendo o país e vivenciando a riqueza de sua diversidade cultural, Bicudo retornou à sua cidade natal e foi convidado para dirigir a Temporada de Inauguração da Cidade da Música, em parceria da ABAL com a OSB e Prefeitura do Rio de Janeiro. Após dois anos de trabalho, planejou e organizou a abertura com um grande Festival de Verão, com quatro óperas, cuja inauguração seria com sua versão de “Tosca”, de Puccini, com o soprano Aprile Millo. Contudo a obra do palco não ficou pronta e a Temporada foi cancelada.

Em 2010, concebeu e desenhou os cenários e fez a direção cênica de “Tosca”, de Puccini, encenada no histórico Theatro São Pedro, para a Ópera São Paulo. Os 38 % dos leitores da “Folha de São Paulo” elegeram esta montagem como “Melhor Espetáculo Clássico do Ano de 2010”."

Videografia

Fernando Bicudo é entrevistado por Arnaldo Niskier:
http://www.youtube.com/watch?v=ai8ZgEYOKeE

http://www.youtube.com/watch?v=rdemC1PtLQE


Espetáculo Terra Brasilis:
http://www.youtube.com/watch?v=mIdjfQ0hPzs

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Links

Fernando Bicudo na Wikipédia:
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