Coreografia: Mario Galizzi, a partir de Marius Petipa (1818-1910) e Lev Ivanov (1834-1901)
Música: Piotr I. Tchaikovsky (1840-1893)
Iluminação: Wagner Freire
Figurino: Tânia Agra
Adereços: Robson Rui
Assistente de coreografia: Sabrina Streiff
O segundo ato do balé O Lago dos Cisnes — o mais famoso de todos os tempos — é um marco na história da dança. Curiosamente, o sucesso da obra não se deve à sua estreia original, mas sim à remontagem realizada por Lev Ivanov (atos II e IV) e Marius Petipa (atos I e III), apresentada em 1895 no Teatro Mariinsky. Infelizmente, Tchaikovsky (18401893) morreu antes de ver o reconhecimento definitivo de sua criação.
Muitos se perguntam por que O Lago dos Cisnes atravessa gerações com tanto impacto. Algumas pistas: trata-se de uma história romântica e trágica, na qual dança e música se entrelaçam de forma sofisticada e intensa. A princesa do lago é uma criatura encantada, e o segundo ato pode ser apreciado como um poema sinfônico dançado, por condensar a essência emocional e estética da obra.
A narrativa gira em torno da princesa Odette, enfeitiçada pelo bruxo Rothbart. Durante o dia, ela é aprisionada no corpo de um cisne; à noite, retoma sua forma humana. Para quebrar o feitiço, precisa que um príncipe lhe jure amor eterno. No segundo ato, assistimos ao encontro entre o príncipe Siegfried e Odette, na floresta. Da meia-noite ao amanhecer, ela é a princesa da noite: mágica e delicada, um ser que desperta o amor e o desejo de proteção no príncipe. Durante o dia, assume a figura da rainha dos cisnes: frágil, temerosa e, ao mesmo tempo, corajosa e protetora de seu grupo.
Esse ato é concebido como um poema sinfônico em movimento: o corpo de baile atua como um coro visual, comentando e intensificando os gestos dos solistas — assim como, na orquestra, a música nasce do entrelaçamento de diferentes instrumentos. Para ganhar vida, a dança precisa ressoar em cada bailarino e reverberar também na plateia. Na época de sua criação, essa abordagem representava uma transformação profunda na concepção coreográfica. Para alguns estudiosos, Ivanov pode ser considerado um precursor do balé moderno, especialmente pela forma como suas coreografias dialogam com a estrutura musical.
Por I.B.