Chinita Ullman

  • Categoria: Profissionais da dança
  • País: Brasil
  • UF: RS
  • Cidade: Porto Alegre
  • Atividade: Bailarina
  • Atividade: Coreógrafa
  • Atividade: Professora
  • Data de falecimento: 30/05/1977

Conteúdo

Nascida em Porto Alegre em 1904 com o nome de Frieda, Chinita se interessou por dança desde menina. No entanto, as primeiras aulas viriam apenas aos 15 anos, na Europa, devido à ausência de instituições de ensino de dança em sua cidade-natal.

Estudou na escola de Mary Wigman (1886-1973), em Dresden, na Alemanha, onde se formou, e chegou a integrar o grupo da mestra entre 1925 e 1927, mas acabou se desligando do conjunto para dar vazão ao desenvolvimento de coreografias próprias dentro da linha da dança expressionista.

Ao lado de Carletto Thieben, então solista do Scala de Milão e, posteriormente primeiro-bailarino da Ópera de Berlim, passou a excursionar pela Europa com algumas de suas criações. Nessas viagens, em que já se apresentava com o nome artístico de Chinita (um tratamento típico sulista), colheu críticas elogiosas que a fizeram voltar ao Brasil, em 1931, com status de artista consagrada.

Nesse ano, ela fez longas excursões percorrendo o país e a América Latina, chegando a participar como convidada da temporada lírica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Após uma breve temporada na Europa, retornou em definitivo ao Brasil e decidiu se instalar em uma São Paulo às vésperas de uma revolução.

Contra o preconceito da sociedade da época, Chinita fundou uma escola no bairro Higienópolis em parceria com Kitty Bodenhein, que havia sido sua aluna em Colônia, mas tinha forte influência da dança clássica. A Academia de Bailado se tornaria o primeiro espaço da cidade dedicado à dança moderna.

Logo Chinita se integraria intensamente à vida artística da capital paulista, tornando-se amiga de nomes como Tarsila do Amaral, Antonieta Rudge e Lasar Segall, que, em 1938, concebeu a cenografia para uma montagem de Sonhos de uma Noite de Verão" de sua escola. Exemplo desse trânsito está no fato de a casa dela ter se tornado o local de concepção dos estatutos da SPAM (Sociedade Pró-Arte Moderna), inaugurada em 1932.

Apesar de ter iniciado a carreira de professora, Chinita não havia parado de coreografar nem de se apresentar. O contato com Mário de Andrade, grande entusiasta do folclore da cultura nacional, fez com que ela passasse a tomar inspiração nesse universo para muitos de seus trabalhos desenvolvidos no Brasil, como "Quadros Amazônicos", com música de Francisco Mignone, e "Lendas Brasileiras", com trilha de Souza Lima.

Ela e Kitty passaram a incluir algumas de suas melhores alunas nas apresentações dessas coreografias, obtendo sucesso. Em paralelo às atividades na Academia de Bailarinos, Chinita dirigiu a Escola Experimental de Bailados do Teatro Municipal, a partir de 1939, e se tornou a primeira professora de Expressão Corporal da Escola de Arte Dramática Dr. Alfredo de Mesquita, em 1948.

A aposentadoria dos palcos viria apenas em 1954, quando se despediu da vida artística em uma apresentação ao lado de Décio Stuart. Morreu em 1977.
"

Links

(por Amanda Queirós | Pesquisa SPCD) 647

Bibliografia

CAMPOS, Márcia Regina Bozon de. Uma Arqueologia da Dança: Releitura Coreográfica de Chinita Ullman. Dissertação apresentada ao curso de Mestado em Artes do Instituto de Artes da UNICAMP. Campinas, 1995.

GUIMARÃES, Maria Cláudia Alves. Chinita Ullman: e os primórdios da dança moderna em São Paulo. 2003

PETRELLA, Paulo & MOMMENSOHN, Maria (org.). Reflexões sobre Laban, o Mestre do Movimento. São Paulo: Summus, 2006.

Trabalhos

Sonâmbulos, com música de Paul Graener

"Dança Extática", com música de Mommsem

"Claire de Lune", com música de Debussy

"Abysmo", sem música

"Quadros Amazônicos", de Fernando Mignone"
X