Dança em Rede

Do desejo de Horizontes / Du Désir d’horizons

  • Categoria: Coreografias
  • Ano de criação: 2016
  • Duração: 65 min.
  • Grupos de estreia: Compagnie Mouvements Perpétuels
  • Autores: Coreógrafo: ​Salia Sanou

Histórico

Du Désir d’horizons - Foto: Laurent Philippe | Divulgação

Du Désir d’horizons - Foto: Laurent Philippe | Divulgação

Du Désir d’horizons - Foto: Laurent Philippe | Divulgação

Du Désir d’horizons - Foto: Laurent Philippe | Divulgaçã

Mini Biografia do Coreógrafo

A formação artística de Salia Sanou começou a ser construída na capital de seu país, Ouagadougou, onde frequentou cursos de teatro e de danças rituais da etnia Bobo. Sua formação em dança africana se deu com mestras como Drissa Sanon, Alasane Congo, Irène Tassembedo e Germaine Acogny.

Em 1993, aos 24 anos, conheceu a coreógrafa francesa Mathilde Monnier, que em visita a Burkina Faso o convidou para integrar sua companhia, então sediada no Centre Chorégraphique National de Montpellier, na França – onde Salia Sanou se radicou e se firmou como intérprete e criador da dança contemporânea internacional.

Na cidade francesa de Montpellier, Salia Sanou fundou em 2011 a sua companhia de dança, Mouvements Perpétuels (Movimentos Perpétuos). Segundo o coreógrafo, este grupo reafirma sua fé na cultura como elemento de aproximação e entendimento entre os seres humanos.

Bibliografia

KABORE, Joseph Martin; SANOU, Salia; BONKOUNGOU, Maxime. Emploi, chômage et pauvreté au Burkina Faso. Ministère de l'économie et des finances, Institut national de la statistique et de la démographie, 1997.

 (Igor Gasparini | Pesquisa SPCD)

Videografia

Sinopse

Com Do desejo de horizontes, o coreógrafo Salia Sanou retoma seus temas favoritos: solidão e alteridade, o indivíduo e o coletivo, mas também a questão do território, desenraizamento, exílio e fronteiras.

Ele encontrou eco dessa reflexão no trabalho de Nancy Huston, com trechos do romance «Limbes, Limbo / Uma homenagem a Samuel Beckett ». Um novo espetáculo a partir de workshops de dança que ele realiza em campos de refugiados de Burundi e Burkina Faso, com o apoio do Fundo Africano de Artistas para o Desenvolvimento.

Segundo Salia Sanou, Du Désir d'horizons não é uma apresentação sobre campos de refugiados, a rigor. Não tem nada a ver com testemunho ou documentário. É mais uma composição com um vocabulário coreográfico que dá lugar a entender e refletir sobre a delicada situação dos refugiados e que ecoa em todos nós.

Horizonte é o futuro, uma linha que desaparece, um espaço aberto. Portanto, Salia Sanou nos chama a examinar a dimensão do exílio interno que todos carregam em si, como uma parte minúscula e imortal da força, luta e desejo.

E é preciso falar de Burkina Faso: no noroeste da África, possui fronteiras com Mali, Togo, Gana e Costa do Marfim. Até 1960, o país ainda era uma colônia francesa e, como muitos países deste continente, sofrem até hoje as consequências do estupro colonial, do racismo e das diversas mazelas sociais que resultam em guerras civis, com grande movimento migratório em busca de melhores condições de existência. É neste cenário que o trabalho Do Desejo de Horizontes se insere e busca refletir o tema do exílio, inspirado por oficinas de dança contemporânea desenvolvidas pelo coreógrafo Salia Sanou em campos de refugiados na África.

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