Dança em Rede

O Espectro da Rosa

  • Categoria: Coreografias
  • País de origem: Mônaco
  • Cidade de origem: Monte Carlo
  • Ano de criação: 1911
  • Duração: 10
  • Grupos de estreia: Ballets Russes
  • Autores: Michel Fokine
  • Remontagens: Ballet da Ópera de Paris
    Australian Ballet

Histórico

Michel Fokine se formou no teatro Maryinsky em 1898, em 1902 torna-se primeiro solista e professor, assumindo em 1904 o cargo que fora de Petipa, de Diretor do Ballet do Teatro Maryinsky. Ele é um expoente de uma nova geração de bailarinos russos, que preferia esculpir os corpos e trabalhar novas qualidades de movimento, flexibilidade e plasticidade, ao invés de se prender a repetição de passos e truques de bravura que caracterizaram a Escola Acadêmica.

Das obras que se destacam nessa primeira fase de seu trabalho, temos A Morte do Cisne (1905), coreografada para a bailarina Ana Pavlova. A proposta dessa coreografia era mostrar a possibilidade expressiva da dança como independente dos exageros cênicos e coreográficos aos quais o público se acostumara. Ao invés de inúmeros truques e repetições sem fim de elementos virtuosos, ele propunha a simplicidade cênica e coreográfica, com grande trabalho expressivo.

Também do início de sua carreira é o Ballet Les Sylphides, originalmente chamado de Chopiniana (1907), uma proposta de desenvolvimento lírico, romântico e abstrato, sem uma linha narrativa.

Em 1909, Diaghilev convida Fokine para coreografar para sua companhia, os Ballets Russes, encomendando o que seria o primeiro ballet verdadeiramente russo, O Pássaro de Fogo, composto por Stravinsky a partir de estudos etnográficos de canções nativas russas.

Em 1911, Fokine coreografa O Espectro da Rosa, um ballet curto e com papel principal masculino, que é uma das principais referências para a volta dos trabalhos de bailarinos (homens) em cena, considerando que na mesma época, na França, os palcos eram dominados por figuras femininas, mesmo nos papéis masculinos.

No mesmo ano, ele coreografa Petruchka, um ballet criado a partir de histórias populares russas. Durante a produção desse ballet houve um conflito de Fokine com a trilha sonora de Stravinsky, que lhe parecia revolucionária demais, e a movimentação de Nijinsky, que era mais fragmentada e deslocada do que ele pretendia.

Em 1912, em carta à sua mãe, Stravinsky menciona acreditar que Fokine já estaria acabado, ultrapassado enquanto artista. No mesmo ano, Diaghilev eleva à posição de coreógrafo principal o bailarino Nijinsky.

Fokine volta a trabalhar com o Teatro Imperial, e, em 1920, vai para os EUA, abrindo uma escola sua. Ele trabalha ainda com diversas companhias e abre outras escolas, morrendo em Nova Iorque, em 1942.

Fokine defendia uma reforma do Ballet Clássico, que ele explica textualmente tratando dos Cinco Princípios do Novo Ballet: a correspondência entre o estilo de dança e o tema de cada coreografia, a necessidade de expressão da ação dramática, a pantomima sendo usada apenas quando pertinente ao tema (e sendo feita de corpo inteiro, não apenas gestualmente), o uso de conjuntos para a criação de atmosferas dramáticas, não para decoração, e a aliança entre a dança e as outras artes.

A proposta de renovação do Ballet de Fokine existe anteriormente ao trabalho com Diaghilev, e tem influência direta dos trabalhos de movimentação livre de Isadora Duncan. Aquilo que ele buscava era fazer o ballet voltar a funcionar, pois ele via esta arte como artificializada e acadêmica. Nesse ponto, aquilo que os seguidores de Diaghilev viam nele como ultrapassado era o desejo de dar continuidade à Dança Clássica. Enquanto Fokine queria um Novo Ballet, Nijinsky e Stravinsky queriam uma nova forma, moderna, de dançar.

Links




Por Henrique Rochelle | SPCD Pesquisa 45

Bibliografia

Algumas sugestões de leituras e referências acerca da História da Dança:

ANDERSON, Jack. Ballet and Modern Dance: a concise history
ANDERSON, Jack. Dança
AU, Susan. Ballet & modern dance.
BALANCHINE, George; MASON, Francis. Complete Stories of the Great Ballets
BOUCIER, Paul. História da Dança no Ocidente
CAMINADA, Eliana. História da Dança: evolução Cultural
COHEN, Selma Jean. Dance as a Theatre Art
CRAINE, Debra; MACKRELL, Judith. The Oxford Dictionary of Dance
DILS, Ann; ALBRIGHT, Ann Cooper. Moving History / Dancing Cultures: a dance history reader
FARO, Antonio Jose; SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de Balé e Dança
KIRSTEIN, Lincoln. Four Centuries of Ballet
KOEGLER, Horst. The Concise Oxford Dictionary of Ballet
PORTINARI, Maribel. História da Dança
SCHOLL, Tim. From Petipa to Balanchine
SORELL, Walter. Dance in Its Time

Videografia

http://youtu.be/5jV7BD7PdR8
http://youtu.be/xEzId7pNhvA

Sinopse

A estreia da coreografia O Espectro da Rosa convenceu o público da possibilidade de dois bailarinos criarem uma história ao mesmo tempo em que criam a ambientação em que essa história pode ser verdadeira, como um poema lírico.

Théophile Gaultier escreveu um poema no qual uma rosa fala com a garota que a usou durante um baile e esse poema foi adaptado para a coreografia de Fokine, que mostra a garota caindo no sono e a Rosa invadindo seu quarto e seus pensamentos.

O sonho com a rosa é personificado na coreografia com o bailarino entrando na cena, dançando com a bailarina e depois saindo, enquanto ela volta a dormir.

Por causa de sua proposta, o ballet se liga muito ao Romântico, mostrando uma ambientação real que é perturbada pelo sonho, que se corporifica na coreografia. Porém, não temos o sonho dominando sobre a realidade. A rosa vai embora e a menina volta a dormir. Sem a proposta de que o sonho valesse mais, sem o final trágico, e sem o posicionamento do inatingível, o ballet discute mais as possibilidades narrativas da dança do que seus preceitos românticos.
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