Dança em Rede

Apollo (Apollon Musagète)

  • Categoria: Coreografias
  • País de origem: França
  • Cidade de origem: Paris
  • Ano de criação: 1928
  • Duração: 10
  • Grupos de estreia: Ballets Russes
  • Autores: George Balanchine
  • Remontagens: New York City Ballet
    Royal Danish Ballet
    American Ballet
    Joffrey Ballet

Histórico

George Balanchine foi um dos coreógrafos mais famosos do século XX, criador de mais de 400 balés. Nasceu em São Petesburgo, na Rússia, em 1904. Em 1913, ingressa na escola do Ballet Imperial, onde foi aluno de Pavel Gerdt e Andrianov Samuil, formando-se em 1921.

Em 1924, em uma visita à Alemanha com os bailarinos da companhia, Balanchine, sua esposa, Alexandra Danilova e Nicholas Efimov fugiram para Paris, onde havia uma grande comunidade russa exilada pela revolução. Sergei Diaghilev, que também estava exilado, convidou Balanchine para juntar-se ao Ballets Russes como coreógrafo e mestre de balé.

Após a morte de Diaghilev, quando parte dos bailarinos do Ballets Russes estabeleceu-se em Monte Carlo, Balanchine se juntou a eles e aceitou um trabalho como mestre de balé. Em 1933, Balanchine muda-se para Nova Iorque, nos Estados Unidos, a convite de Lincoln Kirstein, um jovem americano patrono das artes que queria formar uma companhia de balé na América do Norte.

Em 2 de janeiro de 1934, com a ajuda de Lincoln Kirstein e Edward Wamburg, funda a School of American Ballet. Entre 1930 e 1940, Balanchine também coreografou para musicais. Em Nova Iorque, formou o Ballet Society, novamente com a ajuda de Kirstein, que mais tarde viria a tornar o New York City Ballet, em 1948.

Durante os anos 60, Balanchine criou quase 40 balés incluindo, em 1965, uma versão de Dom Quixote, no qual interpretou o papel título. O papel feminino ficou para Suzane Farrell, jovem bailarina de que ele estava muito apaixonado no momento e para quem ele iria criar muitos papeis até o fim de sua carreira. Após anos doente, Balanchine morreu em 30 de abril de 1983, em Nova Yorque.

Links





Por Henrique Rochelle | SPCD Pesquisa
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Bibliografia

Algumas sugestões de leituras e referências acerca da História da Dança:

ANDERSON, Jack. Ballet and Modern Dance: a concise history
ANDERSON, Jack. Dança
AU, Susan. Ballet & modern dance.
BALANCHINE, George; MASON, Francis. Complete Stories of the Great Ballets
BOUCIER, Paul. História da Dança no Ocidente
CAMINADA, Eliana. História da Dança: evolução Cultural
COHEN, Selma Jean. Dance as a Theatre Art
CRAINE, Debra; MACKRELL, Judith. The Oxford Dictionary of Dance
DILS, Ann; ALBRIGHT, Ann Cooper. Moving History / Dancing Cultures: a dance history reader
FARO, Antonio Jose; SAMPAIO, Luiz Paulo. Dicionário de Balé e Dança
KIRSTEIN, Lincoln. Four Centuries of Ballet
KOEGLER, Horst. The Concise Oxford Dictionary of Ballet
PORTINARI, Maribel. História da Dança
SCHOLL, Tim. From Petipa to Balanchine
SORELL, Walter. Dance in Its Time

Videografia

http://youtu.be/DUNQjjbozF8

http://youtu.be/4K0QhOMTtiw

http://youtu.be/ZlhH7EaqbRM

Sinopse

Apollo foi apresentado com o nome de Apollon Musagè te (Apollo, Líder das Musas) até 1957, quando o título foi encurtado. A especificação dos epítetos dos deuses gregos mostra qual a faceta da divindade é tomada pela invocação. Apollo foi o deus de muitas coisas, a escolha da especificação do Musagè te mostra que a peça de Balanchine trata do deus jovem, criado entre as três musas, antes de chegar ao Olímpio.

No enredo, temos o prólogo com o nascimento de Apollo, seguido da primeira cena, com uma variação de Apollo. Na sequência, ele encontra as musas que dançam para ele, homenageando as artes das quais são patronesses, a poesia, a mímica e a dança. Apollo tem uma segunda variação, seguida de um pas-de-deux com Terpsicore, a musa da dança. As outras musas voltam para uma Coda, e ao final, numa apoteose, Zeus chama seu filho, que sobe para o Olímpio.

O coreógrafo se defendeu dos críticos franceses, que compararam seu Apollo às estátuas sóbrias do deus, dizendo que ele havia escolhido um momento diferente: Apollo jovem se enobrecendo através da arte.

Balanchine reconhece Apollo como o ballet em que ele descobriu uma característica fundamental da dança: a necessidade de eliminar, reduzir, dizendo que a trilha sonora lhe sugeria essa possibilidade de escolher entre suas ideias, não tratar de todas elas num só espetáculo.

Todo o balé foi pensado como um Balé Branco, e dá continuidade histórica, mesmo que temporalmente um pouco separado, ao trabalho de Fokine de reforma do balé do desenvolvimento da Escola Neoclássica. Se A Morte do Cisne foi o primeiro presságio dessa escola, Apollo foi seu ápice, com a reintrodução dessa forma de classicismo ausente desde Petipa na dança.

A fisicalidade violenta, uma quase transformação dos jogos olímpicos em dança, foi um dos alicerces propostos pela coreografia que se fixaram na formação dos balés contemporâneos, assim como as formas do Adágio, os levantamentos, o uso diferenciado das pontas, o bailarino sustentando várias bailarinas ao mesmo tempo – todas, possibilidades desconhecidas antes de Apollo.
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