Gnawa

  • Categoria: Coreografias
  • País: EUA
  • Cidade: Chicago
  • Ano: 2005
  • Duração: 21
  • Grupos: Hubbard Street Dance Chicago
  • Autores: Nacho Duato
  • Remontagens: São Paulo Companhia de Dança

Conteúdo

Nacho Duato nasceu em Valência, Espanha, em 1957. Em sua formação, que começou aos 18 anos, passou por três importantes escolas: primeiro a Rambert School (em Londres, Inglaterra), depois a Mudra School de Maurice Béjart (em Bruxelas, Bélgica) e por fim a Alvin Ailey American Dance Centre (em Nova York, EUA). Como bailarino, ingressou em 1980 no Cullberg Ballet (em Estocolmo, Suécia) e, em 1981, no Nederlands Dans Theater (em Haia, Holanda). Nesta companhia começou a coreografar em 1983, ano em que Jardí Tancat, sua primeira obra, ganhou o prêmio principal no Concurso Coreográfico Internacional de Colônia, Alemanha. Em 1988, juntamente com o diretor artístico JiÅ™í Kylián e Hans Van Manen, tornou-se coreógrafo residente do Nederlands Dans Theater. Desde então, criou obras que lhe renderam um crescente reconhecimento internacional, com prêmios, elogios públicos e a incorporação de suas coreografias ao repertório de algumas das principais companhias do mundo, como Cullberg Ballet, Les Grands Ballets Canadiens, Balé da Ópera de Berlim, Australian Ballet, San Francisco Ballet, Ballet Gulbenkian, Royal Ballet, American Ballet Theatre e Balé da Ópera de Paris. Dirige, desde 1990, a Compañía Nacional de Danza, a principal da Espanha, cargo que ocupará até julho de 2010. Hoje, Duato é um dos mais importantes artistas da dança mundial, com uma obra que revela um interesse no equilíbrio entre questões formais e culturais, entre a arte a vida, assim como entre o rigor técnico clássico e as rupturas contemporâneas.

Sinopse

Gnawa surgiu da pesquisa coreográfica iniciada em Mediterranea, de 1992. Este balé havia sido criado para a Compañía Nacional de Danza por encomenda da Comunidade Valenciana e, para criá-lo, Nacho Duato se inspirou na natureza valenciana, cercada de mar e sol, e em aromas, cores e sabores mediterrâneos. O duo que pontua certas passagens, por exemplo, remete às laranjeiras valencianas e seus frutos e o uso do fogo, aos carnavais dali. Em 2005, quando a Hubbard Street Dance Chicago pede a Nacho uma criação, ele propõe que dancem Mediterranea. Mas Jim Vincent, diretor da companhia, quer algo novo, e Nacho Duato passa a trabalhar a partir da música gnawa. A ligação com Mediterranea era, porém, muito forte e essa coreografia passa a integrar toda a parte final da nova criação.
Gnawa pode, assim, ser pensada como um desdobramento do interesse desperto por Mediterranea, acrescida de certa luminosidade ritualística e de calor extático. Os gnawa constituem uma confraria mística adepta do islamismo. Descendentes de ex-escravos e comerciantes do sul e do centro da África, instalaram-se ao longo dos séculos no norte daquele continente. À religião muçulmana incorporaram tradições tribais de músicas, danças e rituais de cura. Está presente em Gnawa o reiterado interesse de Nacho Duato pela gravidade e pelo uso do solo como elementos fundamentais na constituição de sua dança. Mas esse interesse se renova no tom ritualístico que envolve o transe musical que conduz a (e é conduzido pela) movimentação dos corpos. Duato estrutura suas criações de maneira radicalmente musical. Em Gnawa, o aspecto a um só tempo austero, solene e muito sensual da dança opera num crescendo que, também na música, parece caminhar para o êxtase.
Nacho Duato é um criador avesso a reduzir suas coreografias a explicações, mas, em conversa realizada em fevereiro de 2009 especialmente para o programa dessa montagem, fala de Gnawa, assim como de questões artísticas mais amplas.

Sobre Gnawa
A escolha que originou Gnawa aconteceu, antes de tudo, em função da música. Gosto muito de música étnica, de música folclórica, percussiva. A de Gnawa vem do Magreb, do povo do deserto, povo com uma importante cultura, que não pode ser esquecida. Sou do Mediterrâneo, de Valência, mas acredito que há um traço comum que permeia toda essa região: norte da África, Grécia, Israel, Itália, Espanha, Armênia, Albânia. Somos todos um, unidos pelo mar e por sua bela paisagem. Por isso não há um salto tão grande de Mediterranea para Gnawa – o calor mediterrâneo e a cultura árabe têm essa matriz comum, e lidar com esse universo foi muito natural" . (Nacho Duato no programa de estreia da obra para a São Paulo Companhia de Dança em 2009).




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