Dança em Rede

Passanoite

  • Categoria: Coreografias
  • País de origem: Brasil
  • Cidade de origem: São Paulo
  • Ano de criação: 2009
  • Duração: 20
  • Grupos de estreia: São Paulo Companhia de Dança
  • Autores: Daniela Cardim

Histórico

Daniela Cardim nasceu no Rio de Janeiro em 1974 e estudou no Ballet Eliana Karin. Em 1994 ingressou no Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde dançou como solista por cinco anos. Criada no mesmo ano de ingresso no Municipal, Yu Lin, sua primeira coreografia, ganhou o quarto prêmio na XI Mostra de Novos coreógrafos no Rio de Janeiro. Em 1999 passou a integrar o Het Nationale Ballet (em Amsterdã, Holanda) onde é atualmente coriphee. Em 2003 fez sua primeira coreografia para o workshop coreográfico do Het Nationale Ballet. Em 2006, o diretor Ted Bradsen a convidou para criar uma peça com produção custeada. Daniela então coreografou Três Movimentos para Cello e Piano. Em 2007 fez seu primeiro pas de deux para a companhia, Zaahir, que foi incorporado ao repertório do grupo. Foi selecionada pelo New York Choreographic Institute, afiliado ao New York City Ballet, para coreografar para a School of American Ballet. Em junho de 2008 fez parte do programa In Space do Het Nationale Ballet. Sua mais recente criação na Holanda estreou no programa Nieuwlichters do Het Nationale Ballet, apresentado em abril de 2009.

Sinopse

A obra que Daniela Cardim coreografou especialmente para a São Paulo Companhia de Dança, Passanoite, traz a marca dessa jovem artista, que tem se revelado como coreógrafa no exterior – em especial na Holanda, onde atua como bailarina do Het Nationale Ballet há uma década – e agora também no Brasil.

Fiel à tradição que tem em George Balanchine uma de suas maiores referências históricas, esta peça coreográfica não narra um enredo mas se baseia inteiramente nas músicas sobre as quais foi criada. A evidente musicalidade da obra não se limita às figuras rítmicas e às camadas melódicas das peças interpretadas pelo grupo Quintal Brasileiro: Passanoite procura fazer em movimentos corporais o que a música faz com a tradição – assim como o rigor erudito revela sutis arrojos na construção musical, a coreografia de Cardim revela um delicado uso da técnica clássica sob o olhar contemporâneo.

Baseada em puro movimento, a obra estabelece na compreensão física da música a dramaturgia da cena: os duos, trios, quartetos e grupos foram elaborados para dialogar com a obra musical de maneira ao mesmo tempo rigorosa e aberta a interpretações. As vozes musicais têm seu correspondente em movimento, assim como as passagens de sonoridade mais rarefeita geram uma dança de eloquência mais sutil e atmosfera mais introspectiva. Cardim cria suas coreografias sob inspiração sonora, os movimentos ocupam a cena de maneira a um só tempo leve e intensa, com pronunciada plasticidade. Os vazios e os preenchimentos da cena no espaço nu da caixa cênica constituem outro elemento marcante nesta peça, em que grande parte do repertório de movimentos e posições é originário da técnica clássica, mas sua semântica é reescrita nos detalhes gestuais, nos impulsos e usos do solo que, juntamente com os deslocamentos no foco da cena, atualizam a tradição.

Daniela Cardim extraiu o título da obra do nome dado por André Mehmari a um movimento de uma de suas composições. Para a coreógrafa, a palavra remete a um momento de recolhimento, de entrada em um estado diferente da agitação diurna. Pode estar relacionado a um estado onírico, mas também a um estado meditativo, como que submerso noutra realidade. Passanoite se relaciona com isso: os corpos se inscrevem no espaço como palavras de um poema, que fala de questões que estão no tempo e fora dele. A iluminação complementa a obra criando espaços que multiplicam o sentido das proposições coreográficas e concorre para ressaltar, em alguns momentos com grande veemência, a atmosfera contemplativa que Cardim extrai das escolhas musicais.

À maneira de seu mestre moderno Balanchine, Daniela Cardim cria com plasticidade, mas sem encerrar as possibilidades de interpretação. De outro gênio admirado, o coreógrafo holandês Hans van Manen, Daniela admira a musicalidade, a simplicidade e a elegância.


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